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ARACRUZ, NOITES DE ALEPPO.
10/02/17
 

Noites de medo, tensão e choro.  Orações e súplicas em várias redes sociais. Tiros e gritos de desespero. Impotência e tristeza pela falta de condições em socorrer alguém que pede ajuda. Guardando as devidas proporções, estamos vivendo noites de Aleppo. Durante a maior parte dos últimos quatro anos, Aleppo, cidade da Síria, esteve dividida em duas, o governo Sírio controlando a metade oeste da cidade e os rebeldes, a metade leste. Por trás disso uma guerra de interesses entre gigantes: EUA e Rússia. Interesses políticos, aliados aos econômicos e tendo como pano de fundo o petróleo, interesse maior dessas grandes potências. Soldados sírios, com a ajuda de milícias apoiadas pelo Irã e ataques aéreos russos, avançaram e restabeleceram  um cerco ao leste da cidade no início de setembro. Desde novembro, as forças do governo sírio, retomaram rapidamente quase todo o leste, deixando os rebeldes à beira da derrota. Entretanto, e é o mais triste,  milhares de civis morreram e milhares estão sofrendo nessa 'queda de braço' das potências citadas. A ONU diz que centenas desapareceram desde que chegaram às áreas controladas pelo governo. Também os  rebeldes estão impedindo que os civis deixem as áreas dominadas por eles, porque lhes servem de escudo contra os ataques sírios. Ao mesmo tempo, muitos dos bairros controlados pelo governo sofrem com a falta de comida e combustível para a população que se tornou refém dessa briga de quem tem mais poder e força.

Sempre foi assim, independentemente das razões justas ou injustas, o povo sempre sofre quando acontecem batalhas por  direitos e deveres, sem o devido respeito à fragilidade do povo, através do qual todo o sistema e estruturas da sociedade são  sustentadas. Os políticos sempre tiveram dificuldades para entender e atender as demandas do povo. Salvo alguns poucos exemplos, estão mais interessados nos seus direitos próprios e dos seus partidos políticos, do que no bem estar da população. Há em nossa constituição alguns paradoxos difíceis de entender. Um deles é o que diz o parágrafo único - art.1º: "Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição"). Acho que é acertada a frase com viés político do nosso grande escritor Carlos Drummond: "Democracia é a forma de governo em que o povo imagina estar no poder". É difícil esperar coisas boas da maioria dos políticos de nosso país, mas da POLÍCIA MILITAR, não. Desde 06 de abril de 1835, portanto, há 182 anos, optou por estar ao lado do povo. Sua história sempre foi de batalha, escrita com sangue de verdade em defesa da população, mesmo quando pouco reconhecida, dada a ignorância da maioria de como é  luta contra o crime. Na PIBARA, Primeira Igreja Batista em Aracruz, já tivemos o privilégio de prestar homenagens à esses heróis, que sempre agiram em prol do povo. Lógico que a opção por essa carreira nunca foi por dinheiro ou estabilidade, porque dentro de cada PM há um espírito heroico de proteger a população e lutar contra o mau. Lamento que a falta de sensibilidade dos políticos, muitos deles emaranhados na maior teia de corrupção jamais vista no planeta terra, deixou quebrar uma tradição da nossa gloriosa PM - o de proteger o povo indefeso e desarmado. Lamento também que o alto comando da PM em toda a sua totalidade, não tomou uma preventivamente uma posição corajosa,  negociando, exigindo e posicionando-se  para ajudar os seus  guerreiros da linha de frente, sem o medo de perderem seus vaidosos e valiosos comandos. Foi rompida uma bela historia que chegaria fácil ao seu segundo centenário. É triste, também, ter a certeza de que o Governo Estadual e a PM, pensem que a população não está percebendo que tanto um como o outro, usam o caos para pressionarem-se mutuamente, tendo como prejudicado maior o povo. A população desarmado e desajudada, não tem outra alternativa se não  sofrer o dano. A população aguarda que as leis sejam cumpridas por todos e que o poder esteja a serviço dele. As palavras "Política" e "Policia" começam com a sílaba "PO", de "PODER", mas tanto a Política quanto a Polícia deveriam colocar em primeiro lugar em suas decisões e dar mais valor à outra palavra, que também começa com sílaba "PO" - que é a palavra "POVO"!

 

Luciano Estevam Gomes

Pastor da PIBARA.